Resumen:
As personagens femininas na narrativa clariceana são plenas de texturas,
reiterações, transgressões e, inclusive, supressões. Em seus
romances e contos, Clarice dá vida a Joana, Ângela Pralini, Lóri,
Ana, Macabéa, entre outras. Do mesmo modo, percebemos que as vozes
narrativas na ficção nos fazem pensar na escritora como um alter ego de suas
personagens, o que representa instâncias diferentes: por um lado, a voz narrativa
e sua identidade e, por outro, a identidade da autora. O biografismo
não resolve o problema da identidade narrativa que alinhava trama, tempo
e personagem, pois que implicaria minimizar o processo da ficção, apesar
da paixão que desperta em nós a vida de Lispector, escrita e organizada nas
biografias que tratarei de revisar mais adiante com o propósito de refletir
acerca da construção da autoria.